Falha de comunicação e problemas técnicos agravaram o desabastecimento de água em bairros de Santa Cruz do Sul
- AGERST

- 23 de dez. de 2025
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Reunião de alinhamento revela impasse sobre avisos de desligamento de energia, ausência de gerador local e adiamento da operação plena da nova Estação de Tratamento de Água.
SANTA CRUZ DO SUL – Uma reunião realizada entre representantes da Secretaria de Meio Ambiente, a agência reguladora AGERST, a concessionária de energia RGE e a Corsan/Aegea expôs uma série de falhas operacionais e de comunicação que resultaram no desabastecimento de água em diversos bairros de Santa Cruz do Sul na última semana. O foco da crise foi um desligamento programado de energia para manutenção da rede, que paralisou o sistema de bombeamento da Corsan.
O impasse dos e-mails
O ponto central do conflito reside na comunicação do desligamento de energia elétrica. Enquanto técnicos locais da Corsan afirmam que não foram informados e que não havia registro de parada programada no site da concessionária, a RGE apresentou comprovantes de que o aviso foi enviado em 2 de dezembro, respeitando os prazos regulamentares.
A falha, contudo, parece ser estrutural: o comunicado foi enviado para um e-mail centralizado de faturas, o que impediu que a informação chegasse em tempo hábil às equipes operacionais de Santa Cruz. Como solução, as empresas acordaram o cadastro de múltiplos e-mails diretos para as unidades locais para evitar novos gargalos.
Nova ETA operando com limitações
Outra informação importante da reunião foi que a nova Estação de Tratamento de Água (ETA), embora inaugurada, ainda não opera com sua capacidade total. Problemas técnicos nos 12 filtros — causados por excesso de ar nas bombas que remexeu o material filtrante — forçaram a manutenção do sistema. Atualmente, a cidade depende da "ETA velha", e a previsão é que a nova unidade só esteja 100% operacional em janeiro. Com a nova estrutura, a capacidade deve saltar de 600 para 800 litros por segundo.
Gerador ausente e vulnerabilidade
A crise de abastecimento foi agravada pela ausência de um gerador de contingência. O equipamento que deveria atender o terceiro recalque de Santa Cruz havia sido deslocado para a cidade de Encantado, para suprir emergências após um temporal naquela região. A remoção do equipamento gerou questionamentos da AGERST sobre o descumprimento do plano de contingência contratual. Sem energia e sem gerador, as partes altas da cidade, foram as mais afetadas.
Resiliência e fundo de saneamento
Para minimizar impactos futuros, a prefeitura e os órgãos técnicos discutiram a utilização de recursos do fundo de saneamento para a aquisição de caixas d'água para famílias de baixa renda. A medida visa aumentar a reservação doméstica, garantindo que interrupções curtas no bombeamento não deixem as residências imediatamente desabastecidas.




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