AGERST analisa cenário do transporte coletivo e aponta necessidade de estudo amplo sobre o sistema
- AGERST

- 28 de jul.
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Redução no número de passageiros e déficit operacional reforçam a importância de avaliar alternativas para tornar o serviço mais sustentável, eficiente e atrativo à população.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Cruz do Sul (AGERST) analisou, em reunião, o complemento tarifário temporário do transporte coletivo urbano referente ao mês de junho de 2026. Além da avaliação dos dados financeiros e contratuais, o encontro também abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre a redução no número de passageiros e os desafios enfrentados pelo sistema.
O parecer jurídico apresentado considerou regular o pedido de complemento tarifário e validou os valores utilizados no cálculo. A análise observou a metodologia estabelecida no contrato de concessão e no termo de acordo administrativo firmado entre o Município e o consórcio responsável pela operação do transporte coletivo.
Déficit operacional ultrapassou o limite do complemento tarifário
No mês de junho, o custo operacional do sistema chegou a aproximadamente R$1,456 milhão. A arrecadação obtida a partir dos passageiros equivalentes foi de cerca de R$982,7 mil, resultando em um déficit operacional de R$473,2 mil.
O acordo administrativo estabelece o limite mensal de R$370 mil para o complemento tarifário temporário. Dessa forma, esse foi o valor autorizado para repasse, embora a diferença entre os custos e a arrecadação tenha superado o teto previsto.
Com o pagamento referente ao mês de junho, o saldo acumulado não coberto pelo subsídio chegou a aproximadamente R$650,2 mil desde o início de 2026. Segundo os dados apresentados, esse valor permanece sob responsabilidade da concessionária.
O complemento tarifário tem como objetivo contribuir para a continuidade do serviço e para a manutenção de uma tarifa pública inferior ao custo técnico da operação.
Entretanto, a análise realizada pela AGERST demonstrou que a sustentabilidade do transporte coletivo não depende apenas da ampliação dos repasses financeiros.
Número de passageiros caiu aproximadamente 16%
Outro ponto de atenção foi a redução na utilização do transporte coletivo urbano. Entre janeiro e junho de 2025, o sistema registrou 197.304 passageiros. No mesmo período de 2026, foram contabilizados 165.417.
A diferença representa uma queda aproximada de 16% em apenas um ano. O dado merece atenção porque a comparação ocorre entre períodos posteriores à fase mais crítica da pandemia, quando o transporte coletivo já havia enfrentado uma redução expressiva na demanda.
A diminuição no número de usuários impacta diretamente a arrecadação do sistema e amplia a distância entre o valor obtido com as tarifas e o custo necessário para manter a operação. Ao mesmo tempo, indica que parte da população pode estar recorrendo a outras formas de deslocamento, como automóveis, motocicletas e aplicativos de transporte.
Esse cenário reforça a necessidade de compreender os motivos que levam os usuários a deixar de utilizar os ônibus e de avaliar quais medidas podem tornar o serviço mais adequado às necessidades atuais da população.
Sistema precisa ser analisado de forma integrada
Durante a reunião semanal (22/07), foi destacada a importância de realizar um estudo completo sobre o transporte coletivo urbano. A avaliação deve considerar o sistema como um todo, incluindo demanda, horários, itinerários, custos, tarifas e perfil dos usuários.
Entre as possibilidades discutidas está a adoção de valores diferenciados conforme os horários de utilização. A proposta poderia manter a tarifa regular nos períodos de maior movimento e oferecer valores reduzidos nos horários de menor demanda, quando os veículos circulam com menor ocupação.
Também foram mencionadas possíveis estratégias para incentivar o uso do transporte coletivo por grupos que apresentam maior flexibilidade de horários, além de ações voltadas à mobilidade urbana e à recuperação de passageiros.
Essas alternativas ainda dependem de estudos técnicos e não representam decisões já adotadas. O objetivo da discussão é identificar caminhos que possam contribuir para aumentar a utilização dos ônibus, otimizar os recursos disponíveis e fortalecer a sustentabilidade do serviço.
Atuação técnica e regulatória
A AGERST não executa o transporte coletivo urbano. Sua função é regular, fiscalizar e acompanhar a concessionária responsável pela prestação do serviço.
Nesse trabalho, a Agência analisa informações operacionais e financeiras, verifica o cumprimento das obrigações contratuais, acompanha indicadores e emite pareceres técnicos que contribuem para decisões mais transparentes e fundamentadas.
A redução no número de passageiros e o crescimento do déficit operacional demonstram que o transporte coletivo enfrenta desafios que precisam ser avaliados de forma ampla. Mais do que analisar mensalmente o complemento tarifário, é necessário compreender a realidade do sistema e estudar medidas que conciliem qualidade, eficiência, continuidade e equilíbrio econômico.
Por meio de uma atuação técnica, imparcial e independente, a AGERST continuará acompanhando os dados e contribuindo para a busca de alternativas que fortaleçam o transporte coletivo urbano de Santa Cruz do Sul e atendam às necessidades dos usuários.



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